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Terça-feira, Agosto 21, 2007
Atravessando o campo de centeio
Se alguém encontra alguém atravessando o campo de centeio. Assim diz a cantiga que corre junto ao vento em uma tarde clara.
Abro meus olhos. O sol ilumina todo o campo com um dourado que transpira paz, ao refletir seus raios no centeio. Olho à minha volta em busca de alguém para estar ali comigo. Procuro por toda a plantação, mas não encontro ninguém, estou só ali.
Paro em meio ao campo e começo a admirar o horizonte. O sol agora começa, vagarosamente, a seguir para se esconder entre as montanhas distantes para, dentro em breve, desaparecer. O brilho que resplandece no campo me fascina e sou envolvida pela tranqüilidade que é constante em um lugar como este.
Lembro de uma história ouvida há muito tempo atrás, sobre um campo de centeio como este, onde várias crianças correm brincam entre o centeio sem saberem fora plantado a beira de um precipício. Se as crianças não tomassem cuidado, poderiam cair naquele precipício. Mas ali havia alguém, como olhos atentos a cada uma delas. que não deixava as crianças caírem no precipício: era o apanhador do campo de centeio.
Fechei meus olhos, sonhei que por um momento, o apanhador estaria ali, comigo. Foi quando comecei a ouvir o barulho de crianças. Abri os olhos, lá estavam elas, várias crianças ao meu redor brincando, correndo por toda a extensão da plantação. Levanto-me e começo a caminhar, procurando pelo apanhador. Ando com cuidado entre as crianças e o centeio, esperando encontra-lo.
Onde ele estaria? Será que está próximo ao precipício, sempre atento para que ninguém caia?
Não ouso me aproximar de tal lugar. Ir até lá seria aceitar que não há mais esperança, que as forças que tenho em meus braços e os sonhos que guardei com esmero já não existem mais. Não, isto não é verdade. Digo, os sonhos se despedaçaram, as forças foram levadas como pó pelo vento e até mesmo a esperança me fora roubada.
Mas tenho o conforto de saber que o apanhador está aqui, perto de mim. Gostaria que não estivesse ao precipício, mas sim estivesse aqui, ao meu lado no campo de centeio, me embalando em seus braços, me deixando chorar em seu ombro. Não, ele não está aqui, mas está próximo, e está ouvindo meu pranto que ecoa por toda a plantação. Sim ele me ouve, e está atento, esperando que não me aproxime de onde ele está.
O sol já começa a se esconder. Seus raios vem tocar em despedida no meu rosto para, antes de se ir, secar minhas lágrimas. Uma brisa passa agora, sussurrando a cantiga: Se alguém encontra alguém atravessando o campo de centeio...
Mas estou só aqui, com as lágrimas voltando a cair do meu rosto.
Lembro-me então que não estou só: o apanhador está ali, atento, junto ao precipício, atento ao que digo e onde vou. Se algo acontecer e eu me aproximar, desatenta àquele local, ele irá me segurar e me levar de volta ao campo de centeio.
por Jarsgirl * 11:30 AM
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Quinta-feira, Julho 12, 2007
Os copos de cristais
Em uma manhã clara é comum ver crianças nos quintais de suas casas brincando e aproveitando o dia de sol para se divertir, ou até mesmo na rua, soltando suas pipas ou jogando futebol com outras crianças. Porém, na casa de Pedro era um pouco diferente.
Pedro tinha somente cinco anos, mas era uma criança bem comportada. Seu único defeito era subir na cristaleira de sua mãe e grudar o jovem rostinho entre o vidro. Gostava de ver as coisas que sua mão ali guardava, imaginando o valor que aquilo tinha. Lá dentro, havia diversos copos em diferentes tamanhos e formatos. Havia copos pequenos, grandes, alguns repuxados, outros com detalhes....seu pai certa vez disse-lhe que cada copo era para beber umd eterminado tipo de bebida: desde wisky ate agua. Cada um tinha sua finalidade e uma única finalidade.
Pedro não entendia o porquê de haver tantos copos diferentes. Afinal, se copo é para beber qualquer um serve, desde que haja um fundo. Muito menos compreendia porque possuir tantos copos e não usar nenhum. Sua mãe tinha um grande apreço por eles e por esta razão não permitia que ninguém os usasse. Ele ficava ali, grudado ao vidro da cristaleira, admirando tantos copos, tentando descobrir o “tesouro” que cada umd eles deveria ter para que não pudessem ser usados.
Era dez da manhã quando Pedro avistou, da janela da sala de jantar, a chegada de sua mãe. Ela adentrava segurando um pacote em suas mãos, o que atiçou a curiosidade da criança, já afoita para descobrir o que estaria ali dentro. Ele desceu rapido de onde estava antes que sua mãe visse o que ele fazia e correu para ela desejoso pela abertura do pacote. Ao abrir o pacote, teve uma surpresa: mais copos. Sua mãe lhe disse que eram taças e que eram muito frágeis. Como sempre fazia quando comprava um novo aparato para seu “tesouro”, advertiu de não mexer nas taças, pois eram delicadas e somente para ocasioes especiais. Guadou-as na cristaleira e saiu.
Os anos se passaram, os copos se multiplicaram. Pedro já era grande, estava mudado, porém os copos continuavam no mesmo lugar, à espera do dia especial para serem utiizados. Uma noite, quando Pedro e seus pais não estavam em casa, estranhos entraram em sua casa, no silencio da noite os intrusos iam vedno tudo que havia dentro da casa, em busca de algo de valor.
Ao chegarem na casa horas depois e viram a bagunça em sua casa. Pedro correu para seu quarto temendo o furto de seus bens. Seu pai se adentrou ao escritório temendo que todo o dinheiro ali guardado houvesse sido encontrado e levado. De repente pedro ouve um grito. Correndo em direção ao som, encontra sua mãe na sala de jantar aos prantos. Ao olhar ao redor, viu a cristaleira completamente vazia. Pedro olhou para o chao e viu um rio de cacos de vidros, nenhum havia restado. Os copos, tão preciosos, únicos, à espera de um dia especial, estavam todos quebrados.
por Jarsgirl * 5:09 PM
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Quinta-feira, Junho 14, 2007
Tudo vai terminar bem
Tamara procurava suas anotações, não sabia onde estavam. O quarto já estava do avesso e ainda não havia encontrado.
"Desisto", disse ao tirar todos os cadernos velhos do armário.
Ao sentar nas almofadas jogava olhou para o chão e viu o caderno, ali estava aquela velha brochura no canto entre dois livros.
Pegou o caderno e começou a folhear. Ali havia a maior parte dos momentos mais tristes de sua vida desde os 15 anos. Ao passar cada folha via todas as lágrimas que derramara por tantos motivos. Cada ano um novo problema: uma decepcioná-lo maior, porem, quase todas superadas, ou pelo menos, curadas.
Ao chegar ao final, viu que havia quase um ano que não pegava naquele diário, se podemos assim dizer. Tamara não ousada chamar de diário. Para ela, aquele seu diário era onde pode se escrever sobre tudo: dúvidas, alegrias e tristezas, tudo que alguém não queria esquecer. Para ela escrever naquele velho caderno era o contrario - escrever ali era o que ela deveria esquecer, arrancar do coração e da mente junto toda dor que causava - algo complicado de se explicar porque fazer desta maneira, afinal, se escrever sempre se lembrara, ao menos quando for ler. Porém com tamara era diferente, ela escrevia e esquecia a existência daquelas folhas. Voltaria a lembrar anos mais tarde quando seu desespero chegasse ao limite, o que leria ate chegar ao final, a confrontava, pois tanto tempo se passara que finalmente conseguia perdoar o passado.
As lembranças da adolescência problemática havia sido superada, os anos em que ficou são, ignorada por todos na sala de aula não lhe importava mais. Ainda não entendia pq ninguém gostava dela, sequer davam uma chance para conhece-la. Sempre teve poucos amigos, se esforçava para entrar e não ser preconceituosa. Mesmo assim poucos se tornavam seus amigos, a maioria a ignorava, alguns sequer eram educados em fazê-lo.
Olhando seu passado Tamara percebia o quanto havia crescido, o que aqueles momentos dolorosos a transformaram. Não se envergonhava do que se tornara, aquilo ensinou a não julgar ninguém até que se conheça e tenha certeza de que ela fez algum ruim por mal, e não sem querer. Ela mesmo, às vezes, falava coisas que magoavam alguém sem intenção, sabia que todos cometem erros e não queria ser rancorosa com ninguém.
Ao chegar a primeira página em branco tamara parou, por cerca de cinco minutos a jovem ficou intacta, não mexia, não falava, talvez sequer respirasse. Após poucos minutos, que para ela foram longos, Tamara pega uma caneta e começa a escrever. A cada palavra as lagrimas corriam, quanto mais rápido escrevia mais chorava. Isso durava trinta, quarenta, cinqüenta minutos. Duas páginas mais tarde ela não agüentava e caia no chão aos prantos, não suportava mais, só queria alguém ao seu lado para chorar. Suplicava a Deus ajuda. Não entendia pq tudo era tão doloroso.
Após muito tempo chorando caída no chão do quarto, levantou-se, terminou de escrever em seu velho caderno. Pegou a velha brochura jogou no fundo do armário e se jogou como estava embaixo do chuveiro. As últimas lágrimas correriam junto a milhares de gotas.
"Vai ficar tudo bem", dizia ela a si mesma.
por Jarsgirl * 3:13 PM
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Domingo, Junho 03, 2007
A melodia de um coração
Chega a ser estranho quando percebemos que algumas músicas parecem mostrar ao mundo exatamente como sentimos. Enquanto muitas nos divertem, outras são apáticas a nós, existem aquelas que dizem exatamente aquilo que pensamos e que, muitas vezes, não conseguimos expressar.
Palavras que solitárias nada dizem, mas em conjunto expressa toda nossa dor, alegria, compaixão, preocupação ou somente paz. Que nos permite perceber que não somos diferentes de todo o resto do mundo, mas que alguém sabe como é se sentir desta maneira.
Como se deitar à noite, muitos dormem, outros, porém, não. Ficam a pensar em como pagar as contas, o que fazer para aproveitar o dia seguinte com alguém amado, ou simplesmente chorar. Ela nos ajuda a nos confortar, quando um abraço ou o calor de uma pessoa querida não é encontrada. Nos momentos solitários onde não há ninguém para nos ouvir ou consolar
Muitos de nós não sabemos como expressar aquilo que sentimos. Se amamos não sabemos como demonstrar isso a alguém, se sofremos não conseguimos esclarecer aonde dói. Mas alguns conseguem traduzir tudo isso em palavras, com rimas que ressoam e produzem eco nas paredes, que martelam em nossos ouvidos e aliviam nossa alma.
A música passa a ser nosso testamento, ali está nossas emoções, desejos, lágrimas. Elas podem até mesmo responder a pergunta que tanto ouvimos das pessoas "Como está?".
Cada um tem canções que afirmam serem, "suas". E não há ninguém pode tomar de nos determinadas canções. Nós a eternizamos em nossa vida mesmo que por um curto período de tempo. Fazem nosso coração ser aberto, escancarado para que todos saibam como somos, ou como sentimos.
Abaixo está algumas das músicas que hoje, expressam como me sinto, por Sixpence None the Richer.
****
Minha vida tem seus altos e baixos, Eu tento manter os pés no chão
Teu amor é o que me faz seguir em frente Tudo que preciso neste mundo é de ti.
E posso ouvir tua voz dizendo: "estou aqui, mais perto que seu respirar, Eu venci até mesmo a morte. E ainda estou aqui Assim como sempre estive, E você não tem como lembrar de quando eu não estive"
"Estou aqui, nunca vou sair do seu lado. Minha filhinha teimosa, ainda estou aqui. Me permita te guiar, sua corrida já está vencida, Eu sou seu Deus"
(You're here)
*****
Meu coração é tão escuro quanto a terra encharcado com chuvas de inverno
Minha alma é tão pesada quanto o animal morto cavado do pântano
Meus pensamentos rodam como filiais de salgueiro pegadas em ventos de outono
Meu corpo tão tenso quanto um gato como espia sua presa
Me ajude a abrir meu coração a Você,
Me ajude a abrir meu coração a Você,
Me ajude a abrir meu coração a Você, oh o Jesus
é o que eu desejo para fazer
(Brighten my heart)
*****
Acho que você podia dizer: "estou meio com medo"
E se você for embora? Já ví isso antes, Já estive lá antes.
Se eu tiver de me amar, me diga como me amar, O que aquilo de amar sobre mim?
Eu só queria ver, que você me quer como uma pessoa
Mas estou sentindo a dor De todas essas malas no caminho e estou achando que você vai fugir, E não posso te pegar
Acho que eu poderia dizer que quero que você fique, e quero mesmo que você fique
Porque você tem esse pescoço estranho que adiciona um brilho ao meu escuro
Como se você tivesse perseguido tudo isso
E espero que você possa ver que um dia vou deixar essas coisas, estou esperando ficar livre
Mas eu estou sentindo a dor de todas estas malas no caminho, e estou achando que você vai fugir, e eu não posso te pegar, Oh, eu quero te pegar.
(I can't catch you)
por Jarsgirl * 12:21 PM
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Sexta-feira, Maio 18, 2007
As lágrimas de minha alma
Talvez muitos estranhem um texto como este vindo de mim. Nunca postei desta maneira em meu blog - esta é a primeira vez - e tampouco espero mudar a forma como escrevo aqui por simples capricho. Mas o faço hoje por uma série de fatores que me rodeiam todos os dias, entre elas o alto numero de perguntas que me são feitas e pela curiosidade de perguntas relacionadas ao que escrevo e também para fazer - na verdade aproveitando a deixa - o tal meme que tanto me cobraram. Talvez deveria ter escrito isso logo que reabri este blog, mas acredito que seja necessário este tempo de espera, pois desta maneira passo a ter uma idéia mais clara, o ambiente onde estou se ilumina e se torna mais fácil que escrever ante o nevoeiro.
Nunca tive uma vida fácil. Sim, posso ter muito que outros sonham em ter. Quando criança tive muitos brinquedos,casa grande cheia de regalias, empregada domestica e faxineira ao mesmo tempo, passadeira, babá. Ando de motorista quando estou em Minas. Já fui proprietária de imóvel, tenho linha de celular pós-paga e também linha fixa minhas há anos. Era queridinha de muitos professores e sempre tinha recursos para buscar informações quando havia trabalhos de escola. Adorava ir de a pé até o Cilc só pra ter o momento de paz do dia e chegava mais cedo para conversar com os amigos. Show de rock todo mês, chegadas a madrugada tamanha a animação da festa.
Mas ao mesmo tempo estudei em escola pública, nunca tive boneca barbie, nem menos um banco imobiliário. Minha primeira bicicleta foi comprada por mim com a mesada. Sei lavar louça, roupa, cozinhar e encerar o chão. Nunca tive carro, não sei dirigir, ando de ônibus lotado e não ligo pra marca de roupa. Meus colegas me odiavam e nunca me deixavam entrar nos grupos, ou então era explorada por eles. Matava aula pra ir pra biblioteca, ou então para o cinema. Não queria namorado sério, por mais que dissesse o contrário.
Tudo que citei foi algo que me fez ser a pessoa que um dia fui. Digo fui porque acredito que não sou mais esta pessoa. A pessoa que contava piadas, dizia o que pensava, preferia suco a refrigerante, adorava academia e matava aula se foi há muito tempo. Cinema não existe mais, shows, teatro, caminhadas menos ainda. Tudo desapareceu por completo. De repente quem gostava de suco se viu esgotada de tanto beber refrigerante, não suporta mais hambúrguer e só quer ficar em casa. Virou uma anti-social, com ninguém fala, com ninguém sai. Somente escreve, algo que rima, outras vezes não.
Era repleta de sonhos que hoje não existem. Foram todos jogados na lata de lixo no dia 31 de dezembro de 2006. Após esse dia deixei de ser eu. Quem sou eu hoje não sei. Não me reconheço, não tenho mais um rosto (se desfigurou literalmente diante do cansaço da luta). A vontade de sonhar acabou, agora só existe o desejo de dormir, simplesmente fechar os olhos e descansar, nada mais ver ou fazer, somente descansar.
Não me levem a mal, talvez seja algo transcendental ou então simples doce de uma jovem mimada. Talvez seja uma montanhas de dúvidas que me abarrotam o quarto. Acredito que seja um pouco das duas. Não sei o que fazer, para que lado ir, que decisão tomar. Só sei que aprendi que nada me vem fácil, e mesmo que eu lute há uma boa chance de perder. Que podem se passar séculos e ainda terei azar no amor e serei péssima em relacionamentos amorosos. Não tenho prática em conversar cara a cara - minha timidez me inibe - mas que aos pouco consigo me soltar e então ser eu mesma.
Entrei o ano vazia. Pois bem, continuo vazia mas um pouco pior: sem saber para onde ir, que decisão tomar. Não somente porque tenho dúvidas, mas sim porque percebi que não importa que decisão tome, em todas elas necessito de algo que só fui descobrir há pouco: APOIO. Não ouso explicar o que é isso, pelo dicionário significa "amparo", "aprovação", "base". Acreditem ou não, só fui descobrir o que é isso há poucos meses. Ainda me assusta saber que alguém acredita em alguém e busca ajudá-la sem pretensão de algo. Nunca tive isso até pouco tempo. E afirmo: preciso urgentemente de mais em todos os momentos.
Talvez seja por isso que hoje não sou ninguém. Não que faço, porque faço e como faço. Até porque não importa, sem ela não ando nem meio metro. Cheguei a determinado ponto de minha vida que o desgaste físico e emocional se esgotou e que mesmo sem ele não adiantaria muito, pois preciso de um empurrãozinho para sair do lugar. O que me deixa excitada é somente escrever.
E sobre isso já entro no assunto principal que é este blog. Como aqui escrevo. Escrevo o que sinto, o que acredito, como vivo. Mas nem por isso isto é um diário de minha vida. Entre o turbilhão de sentimentos misturo tudo e as palavras se confundem entre ficção e realidade. Como Isabel Allende, que coloca em seus livros sua história e personagens que nunca existiram, faço aqui em meu blog. Tudo se funde e se torna algo novo. O sentimento existe, mas o conceito não. Difícil de entender? Sim, pois é difícil de explicar.
Talvez a forma mais fácil seja exemplificando. Escrevo um texto sobre dor. Alguns o lêem e pensam ser um amor perdido. A realidade é uma amizade distante. Ou então uma amizade forte que na verdade é o Eros transpassado nas veias. Nada aqui é real, mas ao mesmo tempo também o é.
Pois bem. Quando entrei neste novo ano, tudo foi colocado no lixo, inclusive o antigo blog. Entrei este ano sem saber o que fazer, desta forma foi a criação deste blog, que do antigo só restou o nome. Mas cada palavra aqui colocada é como o antigo, são verdadeiras, cheia de dor, alegria, paixão, lágrimas....enfim, algo que esteja dentro de minha alma. Pode ate parecer de inicio um pouco negra, mas ao mesmo tempo não o é. Ao ver o visual dele percebe-se transparêcia e é isso que coloco em meus textos: ser transparente para quem o lê e até mesmo para mim mesma.
O que busco neste mundo ainda não sei, mas ao colocar minha vida aqui de modo sutil - mas ao mesmo tempo escancarado - deixo transparecer e mostro fielmente o que desejo. Parece no inicio confuso, sem sentido, mas após um tempo ao ler aquilo que escrevo consigo me entender.
Sou alguém confusa, não nego. Também um pouco sem paciência. Mas percebi que necessito de paciência para seguir em frente. Muitas vezes sou dada como enrolada, na verdade isso é medo e se não me entendo é porque estou confusa. Ao pôr em palavras o que sinto percebo melhor o que desejo, e se peço teu apoio é porque sei que não consigo sozinha. Quero ao meu redor pessoas que me amem e me dêem esse apoio. Pessoas que serei grata a vida toda, que amo ou aprenderei a amar com facilidade, pois se acreditam em mim é porque são virtuosas.
Sou vista como uma criança. Voz de criança, corpo de criança, jeito de criança. Mas sou cobrada como adulta, castigada como adulta e criticada como uma. Sempre fui uma menina aos olhos de muitos, ainda o sou. Mas em algum momento do passado e do agora eu deixei de ser uma menina. Não sei quando nem porque, não me vejo uma criança, embora ao olhar no espelho veja uma e não quero mais ser vista desta maneira.
Não que me considere adulta, apesar dos meus quase 25 anos, não me considero uma pessoa adulta. Talvez esteja caminhando para isso, não sei ao certo, mas não quero mais os olhos das pessoas em mim como antigamente os via. Não sou mais menina, não preciso de ninguém me vendo como sua irmãzinha que deseja proteger e dar carinho. Sou crescida e necessito de carinho e atenção, mas sei que não é a mesma atenção de uma criança.
Procuro pessoas que me ajudem, pois é difícil chorar quando não se tem um ombro pra derramar as lágrimas e um abraço para confortar. É duro crescer sem isto. A necessidade deste conforto é importante a qualquer ser humano, porque será diferente comigo? Mas que estas pessoas não sejam temporãs. Que desejem ajudar agora para daqui a pouco tempo desaparecerem em uma esquina da vida e nunca mais nos vermos. Quero apoio de alguém que fique para toda vida, ou pelo menos, deseje permanecer ao meu lado durante toda a vida.
Nada mais vou declarar. Acredito que todas as palavras que citei possam ser confusas à muitas mentes, mas à minha conforta. Tudo que estava em meu peito me exauria, mas agora tenho um pouco de alívio. Este texto pode não agradar, provavelmente jamais será entendido - posso afirma que não será esclarecido - mas quem o entender que por favor, tome sua decisão, realize um sonho que possua, pois pior que sonhar e não conquistar, é não ter sonho algum, pois será como eu.
por Jarsgirl * 11:27 PM
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Mais uma vez
Segunda-feira, oito horas e dez minutos.
Já se passaram algumas semanas que não via Alice. Miguel a procurou no mesmo dia, mas dois dias depois descobriu que não a veria mais.Naquele mesmo dia, ela fora promovida e teve que partir para a outra cidade.
"Foi melhor assim" disse ele na época a Marcel, seu amigo e confidente.
Miguel já estava entrando no edifício, quando escuta alguém chamando pelo seu nome.
"Ficou surdo é? Estou gritando você há horas", falou Marcel quanto se aproximava.
"Nem ouvi, me desculpa", respondeu Miguel ao amigo.
"Você está muito avoado Miguel, precisa acordar pra vida meu amigo" dizia Marcel,enquanto se aproximavam do elevador.
Após varias pessoas entrarem, Marcel e Miguel entraram no elevador lotado. Marcel continuou a conversa, não se importando com as outras pessoas:
"Ainda pensando na tal da Alice?"
"Quer falar baixo? Quer que todos ouçam?" retrucou Miguel.
"E daí? A mais interessada na conversa não está aqui, então não tem que se preocupar. Por isso responde logo, está pensando nela mesmo não é?"
"Pouco importa se ela está ou não, eu estou e me importo."
"Então ta. Não precisa ficar nervoso"
Ambos ficaram em silêncio por um tempo, até que Miguel disse:
"É que não entendo. Porque ela falou aquilo justo no último dia dela de trabalho? Poderia ter dito antes, ou não dito, assim eu não sairia prejudicado?"
"Porque poderia? Você também poderia ter dito que estava interessado nela também.", afirmou Marcel.
"Eu não estava interessado na Alice".
"Não? Tem certeza?"
"Tenho".
"Então ta".
Miguel ficou calado novamente. O elevador parava em todos os andares, e aos poucos as pessoas saiam.
"Eu não sabia que estava interessada nela, achei que eu tinha só admiração por ela. E também, nunca iria imaginar que ela iria se interessar por um cara como eu!" falou Miguel poucos segundos depois, com a voz exaltada.
"Então você admite que está doido por ela?" perguntou Marcel.
"Não disse isso".
"Não, imagina!".
"Tudo bem, eu estou interessado na Alice. Sempre estive. Está feliz?"
As pessoas estavam saindo por trás de Miguel nesse momento. Marcel riu nesse momento e falou ao amigo:
"Eu não tenho que estar feliz, mas sim você".
"Eu? Porque eu?" Perguntou Miguel.
Marcel apontou para trás de Miguel. Ele não entendeu e virou sem saber porque o amigo segurava uma gargalhada. Quando Miguel se virou seu rosto empalideceu: lá estava ela, Alice, mais bela do que da última vez que ele havia visto. Alice estava corada de vergonha, mas com um sorriso nos lábios que Miguel jamais esqueceu.
"Acho que já chegou no andar de vocês. Minha sugestão é que vocês desçam e tomem um café, baseado na aparência de ambos, acho que os dois estão famintos.", sugeriu Marcel, que não conseguia conter o riso.
"Acho boa a idéia!", Falou Alice, que não conseguia tirar os olhos de Miguel, que o olhava boquiaberto.
"Eu também.", disse Miguel.
"Até mais tarde então." Falou Marcel aos dois, já saindo do elevador e seguindo até sua sala, coma certeza que agora, seu amigo estava com quem sempre sonhou.
por Jarsgirl * 10:31 PM
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Nada mais que decisões.
06 de setembro de 2005
Deitada no sofá, com os olhos fixos na chuva que caía na janela, Alice pensava. O dia anterior havia sido o mais estressante de sua vida.
"Bom dia Alice, hoje você vai fazer o que, alugar um carro de som?", quem dizia em tom de brincadeira estas palavras era Camila, sua amiga do trabalho que também dividia o apartamento com Alice.
"Não, me jogar na frente de um onibus...talvez um caminhão." Retrucou Alice, que continou: "Aquilo foi um sonho, só pode ser".
Mas não fora. Após ficar de frente com Miguel, se sentiu feliz em ter, naquele dia, uma reunião em outro andar, exatamente o andar seguinte após vê-lo ali no mesmo elevador que ela. A única coisa Alice conseguiu dizer foi ¿olá¿, e em seguida saiu correndo pelo andar. Em poucas horas todos estavam sabendo do ocorrido, Alice passou todo o dia enrusbecida, tamanha a vergonha que sentia ao ser a protagonista de uma episódio como este.
"Não fique preocupada, e daí que você acabou se abrindo pra um prédio inteiro. Isso não deveria ser vergonhoso. Pense pelo outro lado, você tirou um fardo das costas." Disse Camila, que tentava consolar a amiga.
"Sim, tirou mas agora fiquei piada na empresa, imagine, sou mais comentada que o Tiago da cópias." afirmou Alice.
"Aí você exagera. O Tiago escorregando na casa de banana que ele mesmo jogou no chão e caindo no colo da Dona Matilde ninguém supera", disse Camila.
Alice e Camila se entreolharam, como que lembrando da cena do rapaz apanhando da senhora de 65 anos que gritava por socorro e o acusava de tarado. Após a lembrança do ocorrido não resistiram e cairam na gargalhada.
"Acredito que consegui superar até essa, mas o que doeu foi que depois disso nada do Miguel dizer algo", disse Alice com os olhos marejando.
"Ele não te procurou?".
"Se o fez, não me encontrou, também passei o dia em reuniões, mas ninguem do meu departamento comentou nada. Com certeza naõ é reciproco e ele esta sem saber como me dispensar".
"Sabe o que penso? Que você está vendo chifre em cabeça de cavalo. Você devia era não vai viajar? Então aproveite pra deixar isso pra la. Vai ser bom pra você, as pessoas vão esquecer e dará tempo pro Miguel pensar. Se ele gostar vai te procurar depois."
Alice ficou pensativa. Camila apesar de meio maluquete, deu uma boa sugestão. Alice estava cansada e aquela viagem poderia ser sua chance. Fora que poderia ficar dias longe do escritório, o que a impediria de ficar dias sob um clima tenso e embaraçoso que ela mesma criou. Alguns minutos depois respondeu à amiga:
"Acho que você tem razão. Vou fazer isso".
"É isos que queria ouvir!" exclamou Camila empolgada.
(continua)
por Jarsgirl * 5:11 PM
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Domingo, Abril 29, 2007
Fugindo da rotina
Oito horas e cinqüenta e cinco minutos. Pontualmente Miguel já estava no saguão do edifício que trabalha esperando o elevador para começar a trabalhar. A rotina para ele sempre fora a mesma, mas nunca se queixara disso, para ele, rotina significava que tudo corria bem.
Ao abrir as portas, ele já se dirigiu para o canto do elevador. Trabalhava no último andar e por isso era mais tranqüilo estar no canto do fundo onde não era necessário se apertar ou ficar dando espaço para outros funcionários que iriam descer antes dele.
Miguel não era uma pessoa bela aos seus olhos. Com certeza não se achava desprezível, mas sabia que não era o que levantava uma multidão de fãs por onde passava e estava longe de ser ele a pessoa que faz tal façanha na empresa. Era alto, pele clara e cabelos castanhos, uma pessoal normal, como costumava se descrever.
Logo que o elevador fechava as portas, alguém gritava a espera de outra pessoa para segurar o elevador. Todos os dias eram iguais. Porem Miguel já sentia que algo estava por vir, só não sabia o que.
Em meio aos seus pensamentos, Miguel ouviu uma voz alta:
"Deixe de ser medrosa", dizia a voz.
Miguel conhecia aquela voz. Era de Alice, sua colega de trabalho. Trabalhava na sala em frente, mas sempre a via devido aos documentos que sempre teimavam em aparecer relacionados ao departamento dela. Para ele, Alice era uma pessoa carismática, sempre que a via ela estava com um belo sorriso e pronta a ajudar, era alguém inteligente que ele sempre gostava de conversar, embora nunca tivesse algo de interessante para falar com ela. Ele estranhava o fato dela estar ali, no mesmo elevador. Geralmente, Alice se atrasava alguns minutos, e pelos cálculos de Miguel, ela subia no próximo elevador. Nunca a havia visto falando sozinha.
Pouco tempo depois, o silencio foi novamente quebrado por Alice.
"Não suporto mais isso, se não criar coragem e dizer que estou apaixonada morro. Por favor meu Deus, eu preciso saber se o Miguel me ama!" dizia ela para qualquer um ouvir.
Miguel ficou estático. Não podia acreditar que estava ali, ouvindo uma colega de trabalho se declarar para ele, e sem saber que o estava fazendo. As pessoas que estavam ali em sua frente, olhavam para ele e em seguida voltavam os olhos para ela com um ar de divertimento.
Miguel não sabia o que fazer. Quando ela o visse ali poderia entrar em pânico.
"Estou apaixonada pelo Miguel sim e daí?", era novamente Alice falando, dessa vez com as pessoas do elevador que não paravam de rir dela.
A situação só piorava. E Miguel não podia fazer nada no momento.
O elevador parou em mais um andar e como já estavam poucos ali dentro ela com certeza descobriria que ele estava ali. Um senhor e uma mulher que estavam na frente dele saíram, deixando Miguel totalmente visível a ela. Este nada conseguiu fazer, alem de fita-la nos olhos quando a visão de Alice se mostrou em sua frente.
por Jarsgirl * 2:23 PM
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Quinta-feira, Abril 19, 2007
Embaraços e surpresas
Segunda feira, 05 de setembro, 08:00. Mais um dia de trabalho e Alice já esta no elevador do edifício. Seu coração bate disparado após correr para não perder o horário, mas não o único motivo.
Enquanto o elevador sobe, parando em cada andar, Alice fecha os olhos e tenta se acalmar. Hoje será um dia igual aos outros ou nada mais irá acontecer? Será que hoje finalmente haverá uma oportunidade ou mais uma vez só existirá desencontros? Ou pior, pode ter acontecido o pior e ela perdera a chance por seu medo!!!
"Deixe de ser medrosa" Dizia para se mesma em voz alta, não se importando com quem estivesse ali.
Ainda com os olhos fechados, ela abaixou a cabeça e começou a orar silenciosamente. Pedia ao Senhor força, que não tivesse mais medo e que a situação em que estava tivesse um fim.
"Não suporto mais isso, se não criar coragem e dizer que estou apaixonada morro. Por favor meu Deus, eu preciso saber se o Miguel me ama!"
Alice orou, mal sabendo ela que, sem perceber, falou em voz alta toda a oração. Somente quando abriu os olhos percebeu o que havia acontecido, quando todos que ali estavam olharam-na com um ar de divertimento e deboche.
A jovem respirou fundo e disse a todos no elevador:
"Estou apaixonada pelo Miguel sim e daí?"
Ninguém respondeu nada. Nesse momento o elevador parou em mais um andar e muitas pessoas saíram. Após um senhor e uma mulher saírem Alice se petrificou. Atrás deles, encostado no canto do elevador estava Miguel, calado e olhando nos olhos de Alice como nunca havia feito antes......
por Jarsgirl * 9:58 PM
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Quinta-feira, Abril 05, 2007
Onde estarão os sábios?
O passado me atormenta e não sei ao certo por qual motivo. Olho para trás e vejo somente dor e decepção. Lembro de quantos perdões despejei em todo este vale para que não tivesse mais amargura em meu coração, que aos poucos, foi se tornando mais leve e fácil de se entender, porém ainda frágil. Fragilidade necessária para se amar incondicionalmente.
Então retorno ao passado. Vejo o perdão se esvair junto com dúvidas, notando que perdão é algo diferente de confiança. Perdoar é não manter o sofrimento causado em nossa alma, já confiança é uma semente, que necessita de cuidados como qualquer outra.
Então vejo você e tento conhece-lo, saber o que se tornou, embora minha mente já tenha projetado, anos antes, uma base do que seria seu futuro. Apesar de parecer um pouco preconceituoso a criação do imaginário através de estereótipos, este é necessário para aprendermos mais sobre as ações de cada ser humano. Cada ação feita no passado é lembrado em minha mente, que transforma isso em ações do presente e me faz ter uma descrição do que hoje é você.
Parece-me estranho falar de alguém que desconheço, até mesmo, audacioso, mas não me deixa triste fazer isso. O que dói é perceber que a criança do passado se tornou um mau exemplo de homem no presente. Pior que ter essa percepção, é ter provas de que isto se tornou real. Descobrir que a vida para alguns não é nada, que estar diante de vidas despedaçadas não significa nada, apenas uma dor, algo que fará falta. Mas a vida continua, as festas continuam e a irresponsabilidade também.
"Os bons morrem jovens". Tenho lido esta frase tanto nas ultimas semanas que já me desespero. Não seria muita hipocrisia afirmar isso? Quem vejo com esta afirmação nos lábios o fazem àqueles que pela irresponsabilidade perderam vida. Não foi uma fatalidade que eles nada poderiam ter feito, pelo contrario, medidas para evitar haviam muitas.
Quando vejo o motivo de tanto sangue derramado e este jargão dito o horror se apodera de mim. Como pode afirmar que a pessoa seja boa quando ela não se preocupou minutos antes com as conseqüências de seus atos? Não falo de pessoas jovens, que não possuem discernimento entre o certo e o errado, mas sim daqueles que afirmam e possuem idade suficiente pra saber que uma ação possui uma reação. Já passaram, e muitos deles pouquíssimo tempo antes, pelas leis da física no ensino médio. Pobres ignorantes, deixaram eles de estudar e pensar naquilo que lhes era dito na escola ou estavam ali a conversar sobre como chegariam a próxima festa?
Se esqueceram de pensar. Pensar em sua segurança, pensar em seus pais, pensar no próximo. Não notaram que viver é muito mais que brincar e dançar. Que viver intensamente não é beber, ou poder dirigir. Viram uma vida pequena, sem futuro, onde não há nada para se fazer a não ser deixar o ar sair de nossos pulmões.
Onde estavam os sábios? Para onde foram todos eles que não disseram às crianças que viver é mais que suspirar? Onde estavam estes que sabem como o mundo gira e porque estamos neste mundo onde a dor nos rodeia e a solidão tenta nos quebrantar?
Hoje muitas crianças destroem suas vidas sem saber como viver, imaginam que felicidade é diversão, apenas um momento passageiro que encontramos na esquina e precisamos ir até que tudo esteja esgotado. Não sabem viver o tempo correto, esperar não existe em seu vocabulário. Talvez não saibam o que é isso, porque esperar às vezes é importante, ninguém lhes ensinou. Os sábios sumiram e não lhes passaram o seu conhecimento.
Será que se esqueceram? Ou se perderam diante do caminho? Poderia ser que não foram ouvidos? E tristes por não encontrarem ouvidos atentos para ouvir seus segredos, deixaram esta vila para não mais chorar?
Pobres crianças. Terão que aprender sozinhas, com seus próprios erros tudo que deveriam saber. Seus sonhos serão atrasados, para que o agora tentem perceber com seus erros como devem agir. Não mais terão a ajuda de mãos calorosas para que seus olhos sejam abertos. Será necessário que se abram sozinhos, rompendo-se de uma única vez, dolorosa e abruptamente para que entendam premissas básicas da vida.
E os sábios, dali um dia sairão. Não tanto quanto antes, e com muitas cicatrizes em toda a extensão da alma. Sentirão as dores de seu passado todos os dias, não se esquecerão do valor da vida e do peso de suas ações. E ensinarão ao futuro, que toda ação possui uma reação.
por Jarsgirl * 1:01 AM
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Quinta-feira, Março 22, 2007
Pedido de uma alma em aflição
Você poderia me ajudar? Tenho tantas perguntas que não possuem respostas claras, dentro de um coração repleto de angústia e que a cada dia se torna mais difícil de continuar pulsando.
A dúvida todos os dias me corrói um pouco mais, a tristeza e fúria tomam conta de mim pela manhã e só me deixam ao cair da noite. Eles não me permitem ser a pessoa que um dia fui. Esforço-me para ser eu mesma, busco esperança em meio à escuridão, dizendo a mim mesma que neste mundo não existe a espera, que devo não ter medo, pois sendo eu mesma, posso fazer qualquer coisa, mas tudo parece ser em vão.
Preciso fugir, ir para longe, dormir dias seguidos sem interrupção. Quem sabe dessa forma, me acalmo, e consigo encontrar a tão sonhada solução que busco há meses. Talvez precise reencontrar Deus. Não é Este que quando entra em nossa vida organiza toda a casa? Será que preciso reencontrá-lo, ou sou eu que não O percebo ao meu lado? Muitas dúvidas...
Será que estou sendo clara? Falar do que sentimos é algo delicado. Muitas vezes nem percebemos o que sentimos, porém algumas pessoas percebem uma pequena diferença no comportamento alheio que o faz perceber todo o sofrimento que está escondido bem no fundo da alma de alguém. Talvez seja por este motivo que lhe escrevo, quem sabe você consiga perceber o que me aflige, apesar dos parágrafos confusos e sem nexo que lhe proponho a ler e pensar.
Estou confusa, estou triste, choro todos os dias, sem saber o motivo exato desse sofrimento. Preciso de sua ajuda para conseguir firmar meus pés no chão novamente. Por favor, não seja mais um que me dá as costas, pois você é o único que talvez possa me ajudar.
Lívia assinou a carta, postou-a no correio e voltou para sua casa. Agora era somente esperar, pois a ajuda viria de alguma forma.
por Jarsgirl * 7:18 PM
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Segunda-feira, Março 19, 2007
Uma gota de esperança
Tente secolocar no lugar deste homem. Estava matando um povo que nada tinha feito a ele. Mas no início isso não importava pois não os conhecia e não sabia como eles eram. Isso tornava mais fácil mata-los, pois não teria remorso depois.
De repente sua vida se transformou ao se enfrentar diante de um deles. O que o capitão achava que seria um alvo fácil de matar, tornou-se algo impossível. Diante de um homem morto de fome, trajando farrapos em meio inverno europeu, com olhos que pediam por clemência mas ao mesmo tempo queria a morte para não sofrer mais, notou que algo começou a quebrantar seu coração: a misericórdia.
Tudo o que o capitão pensava ser ruim estava ali, porém não parecia ser o que lhe foi dito. O capitão começou a lhe fazer perguntas: onde nasceu, o que fazia... se surpreendeu ao ouvir que antes ele era pianista. Ordenou então que ele tocasse algo no velho piano que ali se encontrava. Devagar e com muito medo, o homem obedeceu a ordem.
Vagarosamente começou a tocar as notas da sinfonia. Aos poucos seu corpo começou a assimilar aquele exercício que para ele era um dom especial, sua mais forte paixão no mundo, e foi conseguindo a força,, que antes não possuía há tempos, para continuar tocando.
O capitão se surpreendeu a cada nota tocada. Naquele momento, teve a certeza de que estava do lado errado, que fora enganado. E seu coração se quebrantou por completo e lagrimas começaram a rolar de seu rosto. Era se como naquele momento o capitão estivesse fazendo uma oração: suplicando a Deus que lhe perdoasse por tudo o que fez para aquele povo. Nada mais fazia sentido para o capitão, mas ao mesmo tempo tudo se encaixava.
O que poderia fazer por aquele pobre homem, deve ter pensado o capitão naquele momento. A única coisa que pôde fazer foi manter aquele pobre homem, excluído da sociedade por ele mesmo, viver. Viver até que as tropas do seu país fossem derrubados, não demoraria muito, já estavam perdendo espaço e homens mais ao norte, logo seriam todos rendidos.
Manter aquele pobre homem vivo foi algo que aquele capitão fez com mais afinco e cuidado. Isso com certeza trouxe a seu espirito alivio diante de tudo o que havia feito de errado. Nada tiraria daquele coração a certeza de que, pelo menos uma pessoa estava salva de poderio perverso de seu superior.
O homem foi finalmente liberto e o capitão preso pelo seu inimigo. Quando achou que não teria mais esperança, se depara diante de outro musico, que afirma conhecer o pianista faminto. Uma gota de esperança nasce em seu coração e suplica que encontre o homem e peça a sua ajuda. Infelizmente o homem não sabia seu nome e o violinista não pôde ouvi-lo também.
O capitão foi morto. Talvez ainda com esperanças de encontrar o pianista, talvez desiludido e certo da morte, mas com a certeza que fez a diferença em uma guerra injusta.
Inspirado no filme O Pianista
por Jarsgirl * 12:59 AM
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Domingo, Março 04, 2007
Memórias de um coração partido
Hoje decidi fazer o que há dias planejo, mas não tinha coragem de fazer. Pensei por horas, o que dizer, confabulando uma lista daquilo que faz meu coração doer e mostrar a falta que sinto por tudo que aconteceu.
Busquei ser o mais honesta possivel. Prometi a mim mesma não chorar ou exagerar nas palavras que dizia. Tentava ser a pessoa que há muito se esconde por detrás das lágrimas e da tristeza, que não se reconhece mesmo frente a alguém querido. Só desejava mostrar como sinto sua falta e a importância que você tem em minha vida. Estava certa de que isso era recíproco, que o amor que sentias por mim nos afastou, mas que este mesmo amor faria com que me ouvisse, e quem sabe, entendesse como me sinto.
Ao chegar aqui, sentar frente a você, sabia exatamente o que dizer, e esperava que houvesse um final feliz. Doce ilusão a minha, que chegou aqui também com a certeza de que as palavras duras que ouvi esta semana seriam derrubadas do pedestal que foram colocadas. Sei que tudo que ocorreu foi culpa minha, porém ainda mantinha a ingenuidade de que este mundo não é tao cruel como afirmam, que ainda existe amor entre as pessoas.
As palavras que decorei cairam. Todo o meu texto, que cuidadosamente preparei, para nada esquecer, apaguei antes que chegassem aos meus lábios. Não me foi permitido declarar minhas desculpas, não havia ninguém que desejasse ouvi-las. E agora mais uma vez percebo que superestimei o que sentia por você. Pensei que era um carinho, porém, é muito mais que isso. A necessidade de ter você ao meu lado me fez ver sua importância em minha vida, mas ao perceber que a reciprocidade não existe me fez perceber que é ate mesmo um pouco doentio.
Não consigo conter as lágrimas, não posso negar. Já notava que viver sem mim é fácil, pois há muito havia percebido como é fácil, quando queremos, riscar alguém de nossa vida. Sei que você fez isso. Não ou culpo e muito menos choro por isso. Na verdade choro por mim, que neste amor egoísta não me permito aceitar que não temos mais nada para compartilhar. Ou melhor, você não deseja mais compartilhar mais nada comigo, pois eu desejo e sofro por saber que não poderie mais fazer isso.
As lágrimas que derramo hoje são por você. Saber que acordarei e não receberei mais seus poemas, e seu desejo em saber minha opinião partem meu coração. Não ser aquela que você compartilha os sonhos, me desestimula sonhar, e até mesmo o seu modo egoista de ser, ignorando tudo que quero compartilhar, me faz falta, não ter nada disso em minha vida é como tirar parte de mim.
Não quero mais chorar, não vou mais lutar. Fui apagada de muitas memórias, mas, ter sido apagada da sua, é o que mais dói. Mas não vou mais me lamuriar, aceitarei o que desejas. So me resta dizer mais uma única palavra, que é mais dolorosa que qualquer palavra dura que dissestes a mim e como percebe me esquivo de dizer, porém não posso por muito tempo me esquivar. Desde já afirmo que entendo seu motivo e não mais te farei sofrer. Sem mais delonga, digo adeus.
por Jarsgirl * 8:41 PM
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Sábado, Fevereiro 24, 2007
O futuro... ou já se tornou presente?
Lembro que durante toda minha infância ouvi a mesma coisa que todos ouvem dos adultos: Você é o futuro do Brasil.
Não importa aonde você nasceu, quem você conheceu, quando crianças todos nós escutamos isso por diversas vezes. E a partir daí ficamos sonhando em como seríamos como o futuro deste país: será que vai ser bom, que iremos melhora-lo ou não?
O tempo foi passando e agora, me deparo com algo que sempre sonhei e que jamais imaginava que um dia iria chegar. De repente dei-me conta que não sou mais o futuro distante desta nação, estou próxima de me tornar o presente, se é que já não me tornei.
É assustador saber que logo estarei formada e que as minhas decisões vão mudar o rumo não só de minha vida, mas de muitos outros, pois apesar de já ter este poder em minha mão sei que ele se tornará mais forte no momento em que terei vidas em jogo dependo diretamente das minhas decisões e não mais indiretamente.
Parece estranha esta realidade, não sei nem o que vou querer no café da manhã, quanto mais em como vou tentar melhorar a minha vida e a do resto do país.
Hoje estou próxima a me tornar o presente desta nação, mas ainda temo que não consiga ser o melhor para ela. E como poderia saber? Em um país onde todos são corrompidos pelo poder e o dinheiro, como poderia ter a certeza de que não terei o mesmo fim?
Será que vamos fazer a diferença? Será que conseguiremos pelo menos, colar ela no rumo certo para nossos filhos colherem os frutos? Isto é algo que só saberemos quando nos tornarmos o passado desta nação.
Obs: texto escrito em: 31/10/2004
por Jarsgirl * 1:27 PM
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Quinta-feira, Fevereiro 15, 2007
Coração vazio
Em uma sala escura, deitada em na cama, ela espera ansiosa pelo momento. Ela não sabe o que falar, como falar e como será a reação das pessoas quando ela disser tudo o que jamais ousou dizer.
O coração pulsa forte, o corpo treme, na mente, milhares de pensamentos correm e a deixam ainda mais confusa. Ela estava só, mas somente na solidão é que ela se sentia viva.
Ela só quer entender. Entender porque tantos problemas que surgem do nada, porque as pessoas não conseguem entender o que ela sente dentro de si. O pensamento de que as pessoas não se importam com a verdade não entra em sua cabeça. Ela não aceita o fato de ter de se calar e sofrer sozinha algo que é provocado por quem ela mais ama.
Subitamente ela se levanta e vai até o interruptor e acende a luz. Logo em seguida, ela segue em direção ao espelho e fica parada, olhando a sua imagem refletida. As lágrimas começam a cair. A visão deformada de seu rosto deixa claro que não fora um sonho, era real. Tudo o que sofreu ficara marcado em seu rosto.
As lágrimas vão aumentando progressivamente. Ali estava ela. Alguém que um dia se via bela, agora estava machucada. Sempre que andasse nas ruas, veria nos olhos das pessoas que passavam e para ela olhassem a lembrança daquele dia terrível. Ela descobriu que jamais se esqueceria daquele dia. Não a deixariam esquecer, seu grande amor a marcou de tal forma que ela não se suportava mais se ver.
Caída no chão, ela chama pela morte. Só assim ela esqueceria e poderia descansar. Não havia mais nada para fazer. Ela havia tentado de tudo para não deixar seu amor, agora não havia mais outra alternativa, ela nada podia fazer.
Após horas de choro, ela se levanta do chão e procura desesperadamente por forças. Levanta-se vagarosamente e vai até a pia para lavar seu rosto das lágrimas que feriram ainda mais o seu rosto já machucado, mas que deram um pouco de alívio para o seu coração. Em seguida calça os sapatos e pega sua pesada mala e começa dirigir-se para a porta. A cada passo ela dizia para si mesmo "É a única solução, tem que ser agora".
Seis horas se passaram e ela ainda está na estrada. As lágrimas não param de correr, mas ela não olha para trás, continua dizendo para si mesma "É a única solução". Em sua frente o vazio, frio, escuro e sombrio para muitos, mas para ela é a paz em sua mente.
OBS: Texto escrito em 07/05/2004.
por Jarsgirl * 4:09 PM
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Sábado, Fevereiro 10, 2007
Tenha um pouco de fé em mim
29 de junho de 1982. Foi este o dia que eu, e muitos outros viemos ao mundo. Chegamos ao mundo sem saber onde estávamos nos metendo, sequer pedimos para nascer. Aos poucos fomos aprendendo a sermos independentes. Como ir e vir, comer, ler, escrever entre tantas outras coisas para que não dependêssemos mais dos outros.
O motivo de viver não sabíamos. A verdade é que ainda não sabemos por que motivos vivemos. Para que os momentos neste mundo tivessem significado, começamos a projetar sonhos, uma forma de termos um motivo para vivermos. Uma forma de conseguir ânimo para seguir com a vida que circula em nossas veias.
Em muitos momentos nos damos bem com isso. Vivemos muito e conseguimos encontrar o final em cada sonho, em outros momentos nem tanto. Quando isso acontece parece que nada mais parece resolver ou ter sentido. A vida volta a não ter significado novamente. Somos tomados pela tristeza e desânimo.
A inocência de que tudo podemos, passa a ser somente um clichê. A inocência que antes tínhamos some. Percebemos que não podemos ter tudo que desejamos, ou então que o que queremos não virá com os pequeninos detalhes que queremos, pois nada é perfeito.
Então descobrimos que buscamos apenas por duas coisas: a perfeição e a alegria.
Queremos ser felizes neste mundo, nada mais que isso. Porém, para sermos felizes temos cravado no peito sonhos: idealizados, construídos e bem detalhados. Buscamos este sonho em todos os lugares: pessoas, estudos, empregos, igrejas, lugares próximos ou distantes de nossa realidade. A busca interminável para alcançar cada sonho, não possui um preço fixo.
Muitos de nós passamos anos procurando isso, chegamos bem próximo às vezes, porém nunca é exatamente como determinados. Ao mesmo tempo encontramos nossos sonhos a perfeição se apresenta buscando as falhas, esquadrinhando cada centímetro em busca de falhas. Uma única falha já é sinal de que não é isso que desejamos, e deixamos mais um sonho escapar.
O ser humano age desta maneira em um ato falho que possuímos. Não somos perfeitos, sabemos bem disso. No entanto exigimos a perfeição de tudo e todos que está a nossa volta. Parece inacreditável aos nossos olhos quando alguém nos aponta falhas porem ao agirmos da mesma forma. Tapamos o sol com a peneira ao invés de crescermos e termos mais complacência.
Não afirmo que jamais alcançaremos nossos desejos exatamente como exigimos, pelo contrario, sei que isso pode ser alcançado. Mas antes de buscarmos devemos saber que a paciência é uma virtude que devemos possui não somente durante a busca, mas também quando encontramos. Às vezes devemos lapidar a pedra para tenha maior valor e beleza exuberante. Assim também devemos fazer.
Muitas vezes não é alguém que não é o que sonhamos, mas no futuro o será. Para que isso aconteça precisaríamos somente ter um pouco de fé. A busca pela perfeição pode sim ser alcançada, mas somente quando temos a certeza de que nada é perfeito, mas trabalhando para isso tudo pode mudar.
Se todos tivéssemos uma pitada de fé nas pessoas, muitos já teriam alcançado a felicidade plena. Porem buscado tudo pronto. São poucos os que se levantam para produzir, a maioria espera que chegue pronto e critica por não estar como desejava, mas se recusa a ele próprio fazer. Queremos tudo e todos perfeitos, sem falhas e sem a necessidade de nossa ajuda para crescer, mas queremos que ele nos ajude sempre que precisamos.
A minha busca pela perfeição continua, mas sem a forma egoísta de exigir o que eu mesma não possuo. Busco ter fé nas pessoas, e espero delas somente que tenham fé em mim.
(Baseado na música Have a Little fatih In Me, de John Hiatt, e no texto Tempo, escrito em 20/07/2004)
por Jarsgirl * 1:35 PM
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Domingo, Fevereiro 04, 2007
Após muitos problemas com o antigo servidor o blog muda de endereço e tbm a forma como tenho conduzido. Ja que anualmente mudava tudo, esse ano não será diferente, pelo contrário, a mudança só é um pouco mais radical.
Então aguarden as novidades pois logo estaremos começando por aqui.
por Jarsgirl * 7:05 PM
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