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.Nome : Luciana Assunção
.Idade: 24 anos
.Em resumo: um ser humano.

"O humano é o efeito da combinação de três elementos: a materialidade do corpo, a imagem do corpo e a palavra que se inscreve no corpo".

Simples não?


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Sexta-feira, Maio 18, 2007

As lágrimas de minha alma

Talvez muitos estranhem um texto como este vindo de mim. Nunca postei desta maneira em meu blog ¿ esta é a primeira vez ¿ e tampouco espero mudar a forma como escrevo aqui por simples capricho. Mas o faço hoje por uma série de fatores que me rodeiam todos os dias, entre elas o alto numero de perguntas que me são feitas e pela curiosidade de perguntas relacionadas ao que escrevo e também para fazer ¿ na verdade aproveitando a deixa ¿ o tal meme que tanto me cobraram. Talvez deveria ter escrito isso logo que reabri este blog, mas acredito que seja necessário este tempo de espera, pois desta maneira passo a ter uma idéia mais clara, o ambiente onde estou se ilumina e se torna mais fácil que escrever ante o nevoeiro.

Nunca tive uma vida fácil. Sim, posso ter muito que outros sonham em ter. Quando criança tive muitos brinquedos,casa grande cheia de regalias, empregada domestica e faxineira ao mesmo tempo, passadeira, babá. Ando de motorista quando estou em Minas. Já fui proprietária de imóvel, tenho linha de celular pós-paga e também linha fixa minhas há anos. Era queridinha de muitos professores e sempre tinha recursos para buscar informações quando havia trabalhos de escola. Adorava ir de a pé até o Cilc só pra ter o momento de paz do dia e chegava mais cedo para conversar com os amigos. Show de rock todo mês, chegadas a madrugada tamanha a animação da festa.

Mas ao mesmo tempo estudei em escola pública, nunca tive boneca barbie, nem menos um banco imobiliário. Minha primeira bicicleta foi comprada por mim com a mesada. Sei lavar louça, roupa, cozinhar e encerar o chão. Nunca tive carro, não sei dirigir, ando de ônibus lotado e não ligo pra marca de roupa. Meus colegas me odiavam e nunca me deixavam entrar nos grupos, ou então era explorada por eles. Matava aula pra ir pra biblioteca, ou então para o cinema. Não queria namorado sério, por mais que dissesse o contrário.

Tudo que citei foi algo que me fez ser a pessoa que um dia fui. Digo fui porque acredito que não sou mais esta pessoa. A pessoa que contava piadas, dizia o que pensava, preferia suco a refrigerante, adorava academia e matava aula se foi há muito tempo. Cinema não existe mais, shows, teatro, caminhadas menos ainda. Tudo desapareceu por completo. De repente quem gostava de suco se viu esgotada de tanto beber refrigerante, não suporta mais hambúrguer e só quer ficar em casa. Virou uma anti-social, com ninguém fala, com ninguém sai. Somente escreve, algo que rima, outras vezes não.

Era repleta de sonhos que hoje não existem. Foram todos jogados na lata de lixo no dia 31 de dezembro de 2006. Após esse dia deixei de ser eu. Quem sou eu hoje não sei. Não me reconheço, não tenho mais um rosto (se desfigurou literalmente diante do cansaço da luta). A vontade de sonhar acabou, agora só existe o desejo de dormir, simplesmente fechar os olhos e descansar, nada mais ver ou fazer, somente descansar.

Não me levem a mal, talvez seja algo transcendental ou então simples doce de uma jovem mimada. Talvez seja uma montanhas de dúvidas que me abarrotam o quarto. Acredito que seja um pouco das duas. Não sei o que fazer, para que lado ir, que decisão tomar. Só sei que aprendi que nada me vem fácil, e mesmo que eu lute há uma boa chance de perder. Que podem se passar séculos e ainda terei azar no amor e serei péssima em relacionamentos amorosos. Não tenho prática em conversar cara a cara ¿ minha timidez me inibe ¿ mas que aos pouco consigo me soltar e então ser eu mesma.

Entrei o ano vazia. Pois bem, continuo vazia mas um pouco pior: sem saber para onde ir, que decisão tomar. Não somente porque tenho dúvidas, mas sim porque percebi que não importa que decisão tome, em todas elas necessito de algo que só fui descobrir há pouco: APOIO. Não ouso explicar o que é isso, pelo dicionário significa ¿amparo¿, ¿aprovação¿, ¿base¿. Acreditem ou não, só fui descobrir o que é isso há poucos meses. Ainda me assusta saber que alguém acredita em alguém e busca ajudá-la sem pretensão de algo. Nunca tive isso até pouco tempo. E afirmo: preciso urgentemente de mais em todos os momentos.

Talvez seja por isso que hoje não sou ninguém. Não que faço, porque faço e como faço. Até porque não importa, sem ela não ando nem meio metro. Cheguei a determinado ponto de minha vida que o desgaste físico e emocional se esgotou e que mesmo sem ele não adiantaria muito, pois preciso de um empurrãozinho para sair do lugar. O que me deixa excitada é somente escrever.

E sobre isso já entro no assunto principal que é este blog. Como aqui escrevo. Escrevo o que sinto, o que acredito, como vivo. Mas nem por isso isto é um diário de minha vida. Entre o turbilhão de sentimentos misturo tudo e as palavras se confundem entre ficção e realidade. Como Isabel Allende, que coloca em seus livros sua história e personagens que nunca existiram, faço aqui em meu blog. Tudo se funde e se torna algo novo. O sentimento existe, mas o conceito não. Difícil de entender? Sim, pois é difícil de explicar.

Talvez a forma mais fácil seja exemplificando. Escrevo um texto sobre dor. Alguns o lêem e pensam ser um amor perdido. A realidade é uma amizade distante. Ou então uma amizade forte que na verdade é o Eros transpassado nas veias. Nada aqui é real, mas ao mesmo tempo também o é.

Pois bem. Quando entrei neste novo ano, tudo foi colocado no lixo, inclusive o antigo blog. Entrei este ano sem saber o que fazer, desta forma foi a criação deste blog, que do antigo só restou o nome. Mas cada palavra aqui colocada é como o antigo, são verdadeiras, cheia de dor, alegria, paixão, lágrimas....enfim, algo que esteja dentro de minha alma. Pode ate parecer de inicio um pouco negra, mas ao mesmo tempo não o é. Ao ver o visual dele percebe-se transparêcia e é isso que coloco em meus textos: ser transparente para quem o lê e até mesmo para mim mesma.

O que busco neste mundo ainda não sei, mas ao colocar minha vida aqui de modo sutil ¿ mas ao mesmo tempo escancarado ¿ deixo transparecer e mostro fielmente o que desejo. Parece no inicio confuso, sem sentido, mas após um tempo ao ler aquilo que escrevo consigo me entender.

Sou alguém confusa, não nego. Também um pouco sem paciência. Mas percebi que necessito de paciência para seguir em frente. Muitas vezes sou dada como enrolada, na verdade isso é medo e se não me entendo é porque estou confusa. Ao pôr em palavras o que sinto percebo melhor o que desejo, e se peço teu apoio é porque sei que não consigo sozinha. Quero ao meu redor pessoas que me amem e me dêem esse apoio. Pessoas que serei grata a vida toda, que amo ou aprenderei a amar com facilidade, pois se acreditam em mim é porque são virtuosas.

Sou vista como uma criança. Voz de criança, corpo de criança, jeito de criança. Mas sou cobrada como adulta, castigada como adulta e criticada como uma. Sempre fui uma menina aos olhos de muitos, ainda o sou. Mas em algum momento do passado e do agora eu deixei de ser uma menina. Não sei quando nem porque, não me vejo uma criança, embora ao olhar no espelho veja uma e não quero mais ser vista desta maneira.

Não que me considere adulta, apesar dos meus quase 25 anos, não me considero uma pessoa adulta. Talvez esteja caminhando para isso, não sei ao certo, mas não quero mais os olhos das pessoas em mim como antigamente os via. Não sou mais menina, não preciso de ninguém me vendo como sua irmãzinha que deseja proteger e dar carinho. Sou crescida e necessito de carinho e atenção, mas sei que não é a mesma atenção de uma criança.

Procuro pessoas que me ajudem, pois é difícil chorar quando não se tem um ombro pra derramar as lágrimas e um abraço para confortar. É duro crescer sem isto. A necessidade deste conforto é importante a qualquer ser humano, porque será diferente comigo? Mas que estas pessoas não sejam temporãs. Que desejem ajudar agora para daqui a pouco tempo desaparecerem em uma esquina da vida e nunca mais nos vermos. Quero apoio de alguém que fique para toda vida, ou pelo menos, deseje permanecer ao meu lado durante toda a vida.

Nada mais vou declarar. Acredito que todas as palavras que citei possam ser confusas à muitas mentes, mas à minha conforta. Tudo que estava em meu peito me exauria, mas agora tenho um pouco de alívio. Este texto pode não agradar, provavelmente jamais será entendido ¿ posso afirma que não será esclarecido ¿ mas quem o entender que por favor, tome sua decisão, realize um sonho que possua, pois pior que sonhar e não conquistar, é não ter sonho algum, pois será como eu.





por Jarsgirl * 11:27 PM Opine:

Mais uma vez

Segunda-feira, oito horas e dez minutos.

Já se passaram algumas semanas que não via Alice. Miguel a procurou no mesmo dia, mas dois dias depois descobriu que não a veria mais.Naquele mesmo dia, ela fora promovida e teve que partir para a outra cidade.

"Foi melhor assim" disse ele na época a Marcel, seu amigo e confidente.

Miguel já estava entrando no edifício, quando escuta alguém chamando pelo seu nome.

"Ficou surdo é? Estou gritando você há horas", falou Marcel quanto se aproximava.

"Nem ouvi, me desculpa", respondeu Miguel ao amigo.

"Você está muito avoado Miguel, precisa acordar pra vida meu amigo" dizia Marcel,enquanto se aproximavam do elevador.

Após varias pessoas entrarem, Marcel e Miguel entraram no elevador lotado. Marcel continuou a conversa, não se importando com as outras pessoas:

"Ainda pensando na tal da Alice?"

"Quer falar baixo? Quer que todos ouçam?" retrucou Miguel.

"E daí? A mais interessada na conversa não está aqui, então não tem que se preocupar. Por isso responde logo, está pensando nela mesmo não é?"

"Pouco importa se ela está ou não, eu estou e me importo."

"Então ta. Não precisa ficar nervoso"

Ambos ficaram em silêncio por um tempo, até que Miguel disse:

"É que não entendo. Porque ela falou aquilo justo no último dia dela de trabalho? Poderia ter dito antes, ou não dito, assim eu não sairia prejudicado?"

"Porque poderia? Você também poderia ter dito que estava interessado nela também.", afirmou Marcel.

"Eu não estava interessado na Alice".

"Não? Tem certeza?"

"Tenho".

"Então ta".

Miguel ficou calado novamente. O elevador parava em todos os andares, e aos poucos as pessoas saiam.

"Eu não sabia que estava interessada nela, achei que eu tinha só admiração por ela. E também, nunca iria imaginar que ela iria se interessar por um cara como eu!" falou Miguel poucos segundos depois, com a voz exaltada.

"Então você admite que está doido por ela?" perguntou Marcel.

"Não disse isso".

"Não, imagina!".

"Tudo bem, eu estou interessado na Alice. Sempre estive. Está feliz?"

As pessoas estavam saindo por trás de Miguel nesse momento. Marcel riu nesse momento e falou ao amigo:

"Eu não tenho que estar feliz, mas sim você".

"Eu? Porque eu?" Perguntou Miguel.

Marcel apontou para trás de Miguel. Ele não entendeu e virou sem saber porque o amigo segurava uma gargalhada. Quando Miguel se virou seu rosto empalideceu: lá estava ela, Alice, mais bela do que da última vez que ele havia visto. Alice estava corada de vergonha, mas com um sorriso nos lábios que Miguel jamais esqueceu.

"Acho que já chegou no andar de vocês. Minha sugestão é que vocês desçam e tomem um café, baseado na aparência de ambos, acho que os dois estão famintos.", sugeriu Marcel, que não conseguia conter o riso.

"Acho boa a idéia!", Falou Alice, que não conseguia tirar os olhos de Miguel, que o olhava boquiaberto.

"Eu também.", disse Miguel.

"Até mais tarde então." Falou Marcel aos dois, já saindo do elevador e seguindo até sua sala, coma certeza que agora, seu amigo estava com quem sempre sonhou.



por Jarsgirl * 10:31 PM Opine:

Nada mais que decisões.


06 de setembro de 2005

Deitada no sofá, com os olhos fixos na chuva que caía na janela, Alice pensava. O dia anterior havia sido o mais estressante de sua vida.

"Bom dia Alice, hoje você vai fazer o que, alugar um carro de som?", quem dizia em tom de brincadeira estas palavras era Camila, sua amiga do trabalho que também dividia o apartamento com Alice.

"Não, me jogar na frente de um onibus...talvez um caminhão." Retrucou Alice, que continou: "Aquilo foi um sonho, só pode ser".

Mas não fora. Após ficar de frente com Miguel, se sentiu feliz em ter, naquele dia, uma reunião em outro andar, exatamente o andar seguinte após vê-lo ali no mesmo elevador que ela. A única coisa Alice conseguiu dizer foi ¿olá¿, e em seguida saiu correndo pelo andar. Em poucas horas todos estavam sabendo do ocorrido, Alice passou todo o dia enrusbecida, tamanha a vergonha que sentia ao ser a protagonista de uma episódio como este.

"Não fique preocupada, e daí que você acabou se abrindo pra um prédio inteiro. Isso não deveria ser vergonhoso. Pense pelo outro lado, você tirou um fardo das costas." Disse Camila, que tentava consolar a amiga.

"Sim, tirou mas agora fiquei piada na empresa, imagine, sou mais comentada que o Tiago da cópias." afirmou Alice.

"Aí você exagera. O Tiago escorregando na casa de banana que ele mesmo jogou no chão e caindo no colo da Dona Matilde ninguém supera", disse Camila.

Alice e Camila se entreolharam, como que lembrando da cena do rapaz apanhando da senhora de 65 anos que gritava por socorro e o acusava de tarado. Após a lembrança do ocorrido não resistiram e cairam na gargalhada.

"Acredito que consegui superar até essa, mas o que doeu foi que depois disso nada do Miguel dizer algo", disse Alice com os olhos marejando.

"Ele não te procurou?".

"Se o fez, não me encontrou, também passei o dia em reuniões, mas ninguem do meu departamento comentou nada. Com certeza naõ é reciproco e ele esta sem saber como me dispensar".

"Sabe o que penso? Que você está vendo chifre em cabeça de cavalo. Você devia era não vai viajar? Então aproveite pra deixar isso pra la. Vai ser bom pra você, as pessoas vão esquecer e dará tempo pro Miguel pensar. Se ele gostar vai te procurar depois."

Alice ficou pensativa. Camila apesar de meio maluquete, deu uma boa sugestão. Alice estava cansada e aquela viagem poderia ser sua chance. Fora que poderia ficar dias longe do escritório, o que a impediria de ficar dias sob um clima tenso e embaraçoso que ela mesma criou. Alguns minutos depois respondeu à amiga:

"Acho que você tem razão. Vou fazer isso".

"É isos que queria ouvir!" exclamou Camila empolgada.

(continua)



por Jarsgirl * 5:11 PM Opine: