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Terça-feira, Agosto 21, 2007
Atravessando o campo de centeio
Se alguém encontra alguém atravessando o campo de centeio. Assim diz a cantiga que corre junto ao vento em uma tarde clara.
Abro meus olhos. O sol ilumina todo o campo com um dourado que transpira paz, ao refletir seus raios no centeio. Olho à minha volta em busca de alguém para estar ali comigo. Procuro por toda a plantação, mas não encontro ninguém, estou só ali.
Paro em meio ao campo e começo a admirar o horizonte. O sol agora começa, vagarosamente, a seguir para se esconder entre as montanhas distantes para, dentro em breve, desaparecer. O brilho que resplandece no campo me fascina e sou envolvida pela tranqüilidade que é constante em um lugar como este.
Lembro de uma história ouvida há muito tempo atrás, sobre um campo de centeio como este, onde várias crianças correm brincam entre o centeio sem saberem fora plantado a beira de um precipício. Se as crianças não tomassem cuidado, poderiam cair naquele precipício. Mas ali havia alguém, como olhos atentos a cada uma delas. que não deixava as crianças caírem no precipício: era o apanhador do campo de centeio.
Fechei meus olhos, sonhei que por um momento, o apanhador estaria ali, comigo. Foi quando comecei a ouvir o barulho de crianças. Abri os olhos, lá estavam elas, várias crianças ao meu redor brincando, correndo por toda a extensão da plantação. Levanto-me e começo a caminhar, procurando pelo apanhador. Ando com cuidado entre as crianças e o centeio, esperando encontra-lo.
Onde ele estaria? Será que está próximo ao precipício, sempre atento para que ninguém caia?
Não ouso me aproximar de tal lugar. Ir até lá seria aceitar que não há mais esperança, que as forças que tenho em meus braços e os sonhos que guardei com esmero já não existem mais. Não, isto não é verdade. Digo, os sonhos se despedaçaram, as forças foram levadas como pó pelo vento e até mesmo a esperança me fora roubada.
Mas tenho o conforto de saber que o apanhador está aqui, perto de mim. Gostaria que não estivesse ao precipício, mas sim estivesse aqui, ao meu lado no campo de centeio, me embalando em seus braços, me deixando chorar em seu ombro. Não, ele não está aqui, mas está próximo, e está ouvindo meu pranto que ecoa por toda a plantação. Sim ele me ouve, e está atento, esperando que não me aproxime de onde ele está.
O sol já começa a se esconder. Seus raios vem tocar em despedida no meu rosto para, antes de se ir, secar minhas lágrimas. Uma brisa passa agora, sussurrando a cantiga: Se alguém encontra alguém atravessando o campo de centeio...
Mas estou só aqui, com as lágrimas voltando a cair do meu rosto.
Lembro-me então que não estou só: o apanhador está ali, atento, junto ao precipício, atento ao que digo e onde vou. Se algo acontecer e eu me aproximar, desatenta àquele local, ele irá me segurar e me levar de volta ao campo de centeio.
por Jarsgirl * 11:30 AM
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